A atual detentora do título de Miss Bumbum 2025, Kerolay Chaves, trouxe à tona uma discussão sobre estereótipos estéticos e capacidade intelectual. A modelo, que representou o Rio de Janeiro na competição nacional, desabafou sobre como seus atributos físicos são utilizados para desqualificá-la em outros âmbitos da vida. Segundo ela, o preconceito por ter “curvas demais” é cruel. “Sou julgada como burra pelo tamanho do meu bumbum”, lamentou.
Para a influenciadora, a vitória no concurso, que reuniu candidatas de 27 estados, acabou ampliando uma percepção distorcida que ela enfrenta há anos. Kerolay Chaves nota que o título virou uma “arma” na mão dos críticos. “Quando me chamam de burra, usam o próprio título como justificativa, como se vencer um concurso de bumbum me impedisse de pensar ou de falar sobre qualquer assunto sério”, lamentou. “É como se o prêmio tivesse reforçado a visão de que eu existo só como corpo.”
O estigma não é novidade na trajetória da musa. Antes da fama, quando atuava como técnica em manutenção de celulares, ela já sentia o peso dos olhares de desconfiança no ambiente de trabalho. “Parecia que minhas curvas vinham antes de qualquer outra coisa. Eu podia fazer meu trabalho, mas o comentário era sempre o mesmo, como se o bumbum grande fosse motivo para duvidar da minha inteligência”, recordou.
Hoje, como empresária —ela comanda uma marca própria de roupas íntimas com enchimento— e figura pública, a dinâmica mudou de cenário, mas não de essência. Nas redes sociais, ela identifica uma contradição no comportamento masculino. “Já recebi mensagem começando com ‘você é perfeita’ e terminando com ‘fica quieta, você não entende disso’. A mesma pessoa que elogia meu corpo usa esse corpo para tentar me diminuir”, relatou.
Longe das polêmicas virtuais, Kerolay Chaves foca em sua preparação para o Carnaval 2026. Ela cruzará o Sambódromo como Musa da ala musical da escola de samba Terceiro Milênio. Apesar da pressão estética inerente ao posto, a Miss Bumbum descartou cirurgias extremas para a folia e defendeu a manutenção de sua forma atual. “Eu não quero mudar meu corpo para caber no padrão de ninguém, nem para o Carnaval. Prefiro desfilar como sou”, concluiu.


