EM NOVEMBRO

Repórter da Globo relembra agressão ao vivo durante cobertura do Flamengo

Duda Dalponte teve o cabelo puxado três vezes por torcedores durante entrada ao vivo sobre a movimentação do Flamengo rumo a Lima

Repórter sorridente segura um microfone com o logotipo da TV Globo enquanto faz uma transmissão ao ar livre. Atrás dela, um grupo de torcedores com camisas vermelhas e pretas comemora animadamente perto de uma ponte sobre um rio, sob um céu azul com algumas nuvens.
Duda Dalponte foi agredida ao vivo durante cobertura do Flamengo (foto: Reprodução/Internet)

Compartilhe:

Duda Dalponte, repórter da Globo, relembrou a agressão que sofreu por torcedores durante uma entrada ao vivo em novembro de 2025. A jornalista teve o cabelo puxado três vezes enquanto cobria a movimentação da delegação do Flamengo rumo a Lima, no Rio de Janeiro. Ela conseguiu concluir a transmissão, mas relatou que a dimensão do episódio só foi compreendida horas depois, ao rever as imagens enviadas por colegas e amigos.

“Na primeira vez que puxaram o meu cabelo durante a cobertura do aeroFla, achei que tivesse sido sem querer”, contou. No entanto, após o segundo puxão, percebeu que se tratava de uma agressão intencional. “No terceiro, virei e perguntei quem foi. O pessoal se solidarizou. Mas ninguém apontou. Tinha muita gente, os seguranças também não viram”, disse. O vídeo da cena circulou nas redes sociais e preocupou a família da repórter, que vive em Santa Catarina.

Duda explicou que, naquele momento, não conseguiu assimilar a violência. “Quando estava voltando, no carro, é que comecei a entender. Muita gente me mandou o vídeo. E ficar vendo foi muito ruim”, disse. Apesar da repercussão, ela considerou que a exposição foi importante para levantar discussões sobre a presença das mulheres no jornalismo esportivo e os desafios enfrentados nas ruas e estádios.

A paixão pela televisão começou ainda na infância. Na faculdade, Duda se envolveu com o jornalismo esportivo universitário e, em 2019, participou de um projeto exclusivamente feminino para cobrir a Copa do Mundo de Futebol Feminino. A partir da experiência como narradora, passou a atuar em web rádios e chegou a ser locutora do Estádio da Ressacada, em Florianópolis.

Ela iniciou a carreira televisiva como estagiária da afiliada da Globo em Santa Catarina e, com bom desempenho diante das câmeras, foi escalada para apresentar o Globo Esporte local. Depois, passou dois meses em estágio na sede da Globo em São Paulo até ser transferida para o Rio de Janeiro, onde atua há três anos na cobertura esportiva da emissora.

Mesmo com avanços, Duda Dalponte relatou que situações de assédio e desrespeito ainda são recorrentes. “Nas ruas, alguns torcedores me chamam de linda e fazem comentários desnecessários. Para falar com pessoas do meio do futebol, tem que reforçar que o contato é profissional”, explicou. A repórter da Globo também afirmou que mulheres precisam estar mais preparadas que os homens para lidar com os obstáculos da profissão.

“Temos que estar muito mais preparadas do que qualquer homem. Porque cascas de banana que não aparecem para eles podem surgir para nós”, afirmou. Segundo Duda, a conquista de espaço no jornalismo esportivo ainda exige vigilância constante. “Esperamos um dia não precisar ficar lutando, só exercer nossa profissão”, disse.

Compartilhe:

O TV Pop utiliza cookies para melhorar a sua experiência.