A Globo iniciou nesta semana a venda internacional de Três Graças, novela das nove, promovida como um sucesso no evento Content Americas. A produção marca o retorno de Aguinaldo Silva à emissora após seis anos afastado. Em entrevista publicada pela revista Variety nesta segunda-feira (19), o autor falou sobre a volta à televisão e os desafios do gênero na era digital.
“Eu não conseguia me imaginar aposentado. Continuei inventando histórias que só contava para mim mesmo. Então, um dia, pensei: por que não voltar à ativa? É trabalhando que me divirto mais”, afirmou Aguinaldo Silva ao comentar sobre a decisão de escrever uma nova novela após anos longe do horário nobre da emissora.
O autor destacou a dimensão emocional envolvida no processo criativo de uma novela das nove. “Escrever uma novela é como se jogar de um trapézio sabendo que não há ninguém para te segurar na queda. No Brasil, quando se trata de uma novela das 21h, mais de 60 milhões de pessoas assistem toda semana. Para um autor, é pura magia conseguir conquistar o coração e a mente de todas essas pessoas”, explicou.
Na avaliação de Aguinaldo Silva, o gênero da telenovela segue sustentado pela emoção. “É um gênero que se baseia menos na ação do que na emoção, e a emoção é algo que acontece dentro dos personagens. Tem sido assim desde que Charles Dickens escreveu seus romances na Inglaterra e os distribuiu um a um”, pontuou. “É a narrativa de um herói em busca do conhecimento. ‘As Três Graças’ é propositalmente estruturada como uma dose de melodrama injetada diretamente na veia”, disse.
O novelista refletiu sobre os hábitos atuais de consumo de conteúdo audiovisual. “Como podemos contar uma história que se desenrola ao longo de 170 episódios de 45 minutos numa época em que o público está habituado a ver tudo o que quer em menos de três minutos?”, questionou. “A novela tem o seu próprio tempo e, cada vez mais, o público também. A única opção é reforçar a essência do melodrama e a emoção que impulsiona a narrativa”, concluiu.


