Quarenta anos após a exibição original na TV Manchete (1983-1999), Dona Beja retorna em nova versão pela HBO Max, com estreia marcada para 2 de fevereiro. Desta vez, a personagem histórica vivida por Grazi Massafera ganha uma releitura crítica, que usa o século XIX como espelho da sociedade atual. A novela não se propõe a repetir a trama anterior, mas a tratar de temas como empoderamento feminino, racismo, homofobia e desigualdade social.
A protagonista, Ana Jacinta de São José, figura real que inspirou o mito de Dona Beja, foi uma mulher julgada por viver fora das convenções de sua época. “A gente enfia o dedo na ferida da sociedade”, afirmou Grazi Massafera. A atriz destaca que Beja é menos símbolo erótico e mais uma figura de independência. “Ela me ensinou a confiar mais no instinto, na intuição, na coragem de ser quem se é, mesmo quando o mundo inteiro aponta o dedo”, declarou.
Para o autor Daniel Berlinsky, a novela da HBO Max parte da personagem para questionar como o passado ainda reverbera no presente. “A sociedade mudou menos do que a gente gostaria, mas a nossa consciência sobre essas questões se ampliou”, afirmou em coletiva de imprensa.
O projeto também aposta em reconstrução histórica e revisão de narrativas. Berlinsky contou que pouco se sabe sobre a verdadeira Dona Beja, uma mulher solteira, mãe de duas filhas e que se sustentava sozinha. “O que se sabe de verdade sobre ela cabe em meia página. Ela era uma mulher solteira, com duas filhas, que se sustentava sozinha. Só isso já bastava para virar escândalo”, explicou.
“Descobri que, em 1872, três em cada quatro negros no Brasil já não estavam mais no cativeiro. Ninguém aprende isso na escola”, afirmou o autor. O personagem Antônio, interpretado por David Júnior, representa essa outra perspectiva. “Me sinto muito honrado de poder representar um personagem que tinha posses, que tinha terras, herança, que tinha o poder de existir, de sonhar e não só de sobreviver”, disse o ator.


