Uma ação conjunta entre autoridades da China e editoras do Japão resultou no desmonte de uma das maiores redes de pirataria de mangás do mundo. O principal alvo da operação foi o site Bato.to, considerado um dos maiores hubs de distribuição não autorizada de quadrinhos orientais. O operador da plataforma foi preso em Xangai, e a polícia apreendeu servidores e computadores usados para alimentar a rede.
A ação foi coordenada pela Content Overseas Distribution Association (CODA), organização antipirataria ligada ao Ministério da Economia, Comércio e Indústria e à Agência de Assuntos Culturais do Japão. A rede distribuía ilegalmente mangás, manhwas (quadrinhos coreanos) e manhuas (chineses), traduzidos para mais de 50 idiomas, inclusive o português.
O modelo de operação seguia o padrão scanlation, combinação das palavras “scan” e “translation”, em que os quadrinhos eram digitalizados, tinham os textos originais removidos e recebiam traduções não autorizadas. A CODA confirmou que o grupo contava com colaboradores internacionais, responsáveis pelas traduções e postagens, o que ampliava o alcance global da distribuição.
Durante a investigação, cerca de 60 domínios foram identificados como parte da estrutura comandada pelo mesmo operador. Apenas em maio de 2025, as plataformas ligadas à rede teriam somado 350 milhões de visitas, conforme dados divulgados pela CODA. O conteúdo era distribuído gratuitamente, com monetização baseada na exibição de anúncios publicitários.
Segundo o relatório da entidade japonesa, a operação gerava uma receita estimada em mais de 400 mil yuans mensais, o equivalente a R$ 303 mil, obtidos exclusivamente por meio de publicidade exibida nos sites. A dimensão da rede e os valores movimentados chamaram atenção das autoridades, que agora investigam o envolvimento de outros colaboradores.
Apesar de ter sido liberado sob fiança, o suspeito deverá ser formalmente indiciado no sistema judicial chinês. O caso permanece em andamento, e a CODA informou que os equipamentos apreendidos estão sendo analisados para rastrear a estrutura operacional completa da rede. A entidade reforça que continuará atuando internacionalmente para proteger os direitos de propriedade intelectual das editoras associadas.


