Carlos Lombardi usou as redes sociais para relembrar os bastidores de Vira Lata (1996), novela exibida pela Globo. O autor da novela, que está disponível no Globoplay, relatou dificuldades desde o início da produção, principalmente na escalação do elenco e na relação com a direção. A trama contou com nomes como Vanessa Lóes, Betty Lago (1955-2015), Jorge Dória (1920-2013), Andréa Beltrão e Glória Menezes.
Carlos Lombardi afirmou que os problemas começaram ainda na fase inicial da novela, quando divergiu de Jorge Fernando (1955-2019), diretor da produção. Segundo ele, as decisões tomadas não refletiam sua visão para a história. “Vira Lata foi uma novela que me deu muito trabalho. Ela já começou difícil na escalação, em que eu e Jorge Fernando, um diretor que admiro, não nos entendíamos”, escreveu o autor.
O ex-autor detalhou que chegou a alertar sobre possíveis falhas no elenco escolhido, principalmente no núcleo feminino. Ainda assim, afirmou que suas observações não foram consideradas. “Houve casos em que fui muito claro com Jorginho: essa escalação tem muitos erros, principalmente no elenco feminino. Jorginho, que havia virado Diretor de Núcleo naquele ano, foi um pouco imperial e ignorou meus avisos”, relatou.
Após a estreia, Carlos Lombardi disse que percebeu problemas na condução da novela e iniciou mudanças rapidamente. Segundo ele, a trama exibida inicialmente não funcionou como esperado. “Portanto, não fui surpreendido quando assisti à estreia e tive certeza de que aquilo estava todo errado. A partir do segundo dia com a novela no ar, já estava procurando a novela nova que iria fazer em cima da novela recém-estreada”, afirmou.
Com a saída de Jorge Fernando do comando direto, o diretor Rogério Gomes assumiu a condução da novela. Conhecido como Papinha, ele passou a colaborar com ajustes na narrativa. Carlos Lombardi destacou a parceria e a mudança de tom na trama. “Ele era o segundo diretor e assumiu a novela quando o Jorginho se afastou do dia a dia dela”, escreveu.
Mudança de elenco
O autor também relatou mudanças no protagonismo após problemas com personagens centrais. A solução foi reposicionar a história e destacar novos nomes do elenco. “A protagonista ficou doente e percebi que precisava de um novo casal romântico de destaque. Percebi que eu tinha uma atriz que estava num papel coadjuvante, e passei a conduzir o protagonismo da história para o casal formado por ela e por Marcelo Novaes”, disse, ao citar Carolina Dieckmann.
Carlos Lombardi avaliou que as dificuldades não estavam na qualidade dos atores, mas na adequação dos papéis. Com o tempo, afirmou que o processo de escrita se tornou mais fluido. “Tanto que, com o mesmo elenco, já sabendo que elenco era aquele, foi ficando cada vez mais fácil escrever”, explicou o autor ao comentar a evolução da produção.
Na sequência, ele também mencionou o desempenho de Deborah Secco e comparou sua repercussão com a de Carolina Dieckmann. Para o autor, a novela passou por uma reformulação completa ao longo da exibição. “Na verdade, inventei uma nova novela a partir da novela inicial, porque eu sabia que a história com que comecei não tinha recuperação possível. Foi meu trabalho mais penoso”, afirmou.


