A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas anunciou nesta sexta-feira (1º) uma série de mudanças nas regras de elegibilidade do Oscar, com vigência a partir da edição de 2027. As alterações afetam principalmente a categoria de filme internacional e criam barreiras mais claras para o uso de inteligência artificial em categorias de atuação e roteiro.
Para o Brasil, que venceu a categoria pela primeira vez em 2025 com Ainda Estou Aqui, a mudança abre uma segunda via de acesso à disputa. A partir do Oscar 2027, filmes em outros idiomas que não o inglês poderão concorrer como internacionais de duas formas. A via tradicional, pela seleção oficial como representante de um país, continua valendo.
A novidade é que produções vencedoras de prêmios específicos em grandes festivais também se qualificam automaticamente para a categoria, independentemente da escolha de cada país. A nova regra poderia ter alterado o destino de filmes como Tropa de Elite, de José Padilha. O longa não foi escolhido para representar o Brasil no Oscar 2008, mas venceu o Urso de Ouro em Berlim naquele ano e, pela nova regra, se qualificaria automaticamente.
A mudança também teria resolvido a polêmica com Anatomia de uma Queda, que a França não selecionou como representante para o Oscar 2024 mesmo após o filme vencer a Palma de Ouro em Cannes e acumular cinco indicações em outras categorias. Além das mudanças na categoria internacional, a Academia determinou que as categorias de atuação e roteiro passam a exigir expressamente trabalho realizado por humanos, em resposta ao avanço da inteligência artificial em Hollywood.
A discussão ganhou força em abril, quando o trailer de um filme com atuação totalmente gerada por IA, com autorização da família de Val Kilmer, reacendeu o debate sobre os limites da tecnologia. A Academia também decidiu que a estatueta de filme internacional passa a pertencer ao filme vencedor, e não mais ao país representado. Por fim, atores poderão receber mais de uma indicação na mesma categoria se tiverem atuações em filmes diferentes, algo vedado desde os primórdios da premiação.


