Caco Barcellos viajou ao Irã em plena guerra no fim de março, mesmo com uma lesão na vértebra L5 que o obrigou a usar bengala. Ele e o repórter Thiago Jock foram os únicos jornalistas brasileiros autorizados pelo governo iraniano, um dos mais fechados do mundo, a entrar no país. As reportagens foram ao ar no Fantástico em meados de abril.
O processo de credenciamento durou de novembro até o fim de março e envolveu negociações com embaixadores. Durante oito dias em Teerã, o apresentador circulou pela capital e registrou a rotina da população em meio aos ataques de americanos e israelenses, que bombardeiam o país desde 28 de fevereiro. A resistência cotidiana do povo iraniano chamou sua atenção.
“Se você sai e não está bem informado, pode achar que nada anormal acontece no país. As pessoas vão às ruas normalmente. Quando eu estava lá, Trump prometeu não só bombardear, mas destruir o Irã, usando a expressão ‘voltar à Idade da Pedra’. Nesses dias, imaginei que as pessoas fossem levar as crianças para casa, mas absolutamente não”, relatou.
A lesão na coluna não foi obstáculo suficiente para ele. “Viajei com dor, mas a vontade de ir foi mais forte. Minha filha não queria, mas eu disse: ‘realmente, posso ficar aqui, mas a dor vai continuar‘. Com dor aqui ou lá, melhor continuar meu trabalho. Ela entendeu. Mas é relativamente suportável. Uma lesão de futebol dói mais”, disse Caco Barcellos.
O comunicador explicou que a autorização para entrar no Irã foi resultado de meses de negociação. “Sugeri que eles fossem atrás do meu trabalho, é o que fala por mim. Tentei convencê-los de que vou aos lugares para mostrar a realidade, conversar com as pessoas, independentemente de quais sejam suas tendências ou preferências”, contou.
Além da cobertura do Irã, Caco comanda o quadro Profissão Repórter Procura, no Fantástico, voltado a estudantes de jornalismo. Sobre o impacto do Profissão Repórter ao longo dos anos, ele lembrou das reações do público. “Adoro ouvir, sobretudo nas favelas: ‘E lá vem aquele pessoal que gosta de entrar na casa da gente.’ Sem dúvida, o programa não existiria se não abrissem suas casas”, disse.


