A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) divulgou uma nota de crítica à decisão da Globo de contratar Virginia Fonseca para atuar como repórter especial do Domingão com Huck durante a Copa do Mundo de 2026. A entidade afirmou que a presença crescente de influenciadores digitais em funções antes ocupadas por jornalistas representa um processo de redução das equipes profissionais em grandes coberturas televisivas realizadas pelas emissoras do país.
Segundo a coluna Outro Canal, da Folha de S.Paulo, a federação declarou que a escolha de Virginia Fonseca expõe um “sucateamento da cobertura jornalística” em grandes eventos esportivos. A nota também menciona cortes de investimentos e substituição de profissionais da imprensa por personalidades ligadas ao entretenimento digital. Procurada pela publicação, a Globo informou que não comentaria o assunto. A equipe da influenciadora também afirmou que ela não irá se manifestar.
A Fenaj citou ainda a cobertura do Carnaval de 2024 da Globo como exemplo de experiência semelhante que gerou críticas públicas. Segundo a entidade, grandes eventos esportivos exigem profissionais preparados técnica e eticamente para garantir informação confiável ao público. “Grandes eventos, como uma Copa do Mundo, não se trata apenas de entretenimento”, afirmou a federação em trecho divulgado no comunicado oficial publicado na segunda-feira (25).
Virginia Fonseca deve integrar a programação da Globo com um quadro semanal dentro do Domingão com Huck. A proposta prevê reportagens sobre o clima das torcidas e curiosidades das cidades-sede da Copa do Mundo. Apesar de ainda não existir contrato assinado, a expectativa é de que o acordo seja fechado até o fim deste mês. Se confirmada, a participação marcará a estreia da influenciadora em projetos da emissora líder.
Leia a íntegra da nota da Fenaj:
A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) e seus 31 Sindicatos filiados manifestam profunda preocupação diante da divulgação de notícias de que “influenciadores digitais” serão escalados como repórteres por emissoras na cobertura da próxima Copa do Mundo de Futebol, que terá início em junho deste ano.
A decisão expõe um processo cada vez mais evidente de sucateamento da cobertura jornalística de grandes eventos, marcado pela redução drástica das equipes profissionais, pelo corte de investimentos e pela substituição de jornalistas por figuras voltadas exclusivamente ao entretenimento e ao engajamento nas redes sociais.
Nos últimos anos, o mesmo movimento ocorreu em grandes coberturas de interesse público, como o Desfile das Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro, quando emissoras diminuíram a presença de repórteres e utilizaram artistas e nomes conhecidos da internet na “cobertura” dos desfiles.
O resultado disso é a desvalorização do trabalho jornalístico e a perda de qualidade da informação veiculada ao público. Grandes eventos, como uma Copa do Mundo, não se tratam apenas de entretenimento: a população brasileira, que acompanha os passos e jogos da Seleção, busca informações confiáveis, que só podem ser reportadas por profissionais preparados com capacidades técnicas e éticas.
A lógica da audiência instantânea e do engajamento algorítmico não pode se sobrepor à necessidade de cobertura jornalística séria, plural e qualificada. Influencer não é jornalista!
Diante desse cenário, reforçamos a importância da aprovação da PEC do Diploma, uma luta histórica da categoria para que a retomada da exigência do diploma de Jornalismo como acesso à profissão seja um instrumento de valorização do jornalismo e defesa da qualidade da informação.
Brasília, 25 de maio de 2026.


