Mariana Spinelli afirmou que sente a responsabilidade de representar outras mulheres no jornalismo esportivo ao se preparar para sua primeira cobertura de Copa do Mundo masculina pela Globo. A apresentadora embarcou para os Estados Unidos como integrante da equipe da GE TV e refletiu sobre os desafios enfrentados por profissionais em um ambiente tradicionalmente ocupado por homens.
A comunicadora avaliou que a cobrança direcionada às mulheres costuma ser mais intensa. Segundo ela, erros individuais frequentemente acabam sendo interpretados como reflexo de todo um grupo. “Enquanto mulher, acabamos sempre nos cobrando mais, porque não respondemos só por nós mesmas. O homem tem o privilégio de, caso fale uma besteira, responder só por ele. Se eu falo uma besteira, ‘as mulheres erraram’ e ‘falaram besteira sobre futebol’”, declarou.
A jornalista afirmou que carrega consigo um sentimento de responsabilidade em relação às profissionais que abriram espaço no setor e também às novas gerações que pretendem seguir carreira na área esportiva. “Temos esse senso de responsabilidade coletiva pelas que estão e pelas que estão vindo. Ao mesmo tempo, eu já vivi tanta coisa, mesmo ainda no início da carreira, que eu tenho uma certa serenidade. O que está ao meu alcance, eu estou fazendo”, afirmou.
Além da carreira, Mariana Spinelli também falou sobre a repercussão de sua vida pessoal nas redes sociais. A apresentadora mantém um relacionamento com Thamara há quatro anos e costuma compartilhar registros do casal com seus seguidores. Segundo ela, no início do namoro, algumas publicações provocavam perda significativa de seguidores. Apesar disso, a jornalista afirmou que nunca encarou a situação de forma negativa.
“Eu fazia uma postagem com ela e recebia três, quatro mil unfollows. Mas eu não via isso como uma coisa negativa. Eu pensava: ‘Que bom que essas pessoas estão saindo. Se elas não compactuam com o que eu sou, não têm que me seguir mesmo’. É uma seleção natural”, declarou em conversa com O Globo.
Mariana Spinelli disse ainda que, com o passar do tempo, conseguiu construir uma comunidade mais alinhada aos seus valores. Por isso, afirma que comentários preconceituosos raramente afetam sua rotina. “Acho que a mulher no esporte ainda tem minimamente mais aceitação do que um homem gay, porque isso bate na masculinidade do homem. Mas, uma vez ou outra, alguém comenta ‘macho’ ou ‘sapatona’. E eu falo: ‘Sim, gente, eu sou sapatona mesmo’”, afirmou.
A apresentadora ressaltou que não considera sua orientação sexual um motivo de constrangimento e declarou que ataques desse tipo dizem mais sobre quem os faz do que sobre ela própria. “Eu não vejo o ato de me chamar pela minha sexualidade como uma agressão. Eu sou quem eu sou. Se a pessoa vê dessa forma, é muito mais problema dela do que meu. Não me atinge. Eu sou muito segura de quem eu sou”, concluiu.


