RENATA SILVEIRA

Primeira narradora de Copa da Globo abre o jogo sobre críticas e pressão no esporte

Comunicadora cobrirá partidas diretamente dos Estados Unidos e afirma viver o momento mais importante de sua carreira

Renata Silveira aponta para a câmera durante chamada institucional da TV Globo em estúdio de gravação
Renata Silveira fala sobre Copa do Mundo na Globo e maternidade (foto: Reprodução/Internet)

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Renata Silveira embarcou para os Estados Unidos como integrante da equipe da Globo responsável pela cobertura da Copa do Mundo de 2026. Escalada para narrar quatro partidas da fase de grupos diretamente dos estádios, a jornalista afirma viver o momento mais importante de sua trajetória profissional, justamente poucos meses após retornar da licença-maternidade.

A narradora divide a preparação para o torneio entre estudos sobre seleções, culturas e países participantes, além das transmissões do Campeonato Brasileiro e da Conmebol Libertadores. Fora do trabalho, também se dedica aos cuidados com Rafaela, sua filha caçula, de seis meses. Ela ainda é mãe de Bernardo, de 13 anos. “Estou vivendo o auge da carreira, que é cobrir uma Copa in loco, após a volta da licença-maternidade. Serão duas semanas fora, meu coração está apertado por causa das crianças, mas tenho uma rede de apoio muito legal”, afirmou.

A comunicadora se formou em Educação Física e decidiu investir em uma especialização em Jornalismo Esportivo. Em 2014, enquanto administrava uma escola de dança, encontrou uma oportunidade que mudaria sua vida profissional. “O ano era 2014 e tudo aconteceu ao mesmo tempo. Abri uma escola de dança, a La Vie Danse, e procurava estágio em jornalismo. Mas era muito difícil, porque eu não tinha a graduação. Foi quando surgiu o concurso da Rádio Globo, o Garota da Voz”, relembrou.

Ao vencer a competição entre 80 candidatas, ganhou o direito de narrar a partida entre Costa Rica e Uruguai na Copa do Mundo de 2014. Com isso, tornou-se a primeira mulher no Brasil a narrar um jogo de Mundial. “Eu me apaixonei, e parecia algo promissor. Busquei cursos, fiz aulas, porque não tinha base. Foi meu foco até 2017”, contou em conversa com O Globo.

Depois de consolidar a carreira, Renata Silveira chegou à Globo em 2022 e voltou a fazer história ao se tornar a primeira mulher a narrar jogos de Copa do Mundo pela emissora. Desde então, passou a enfrentar críticas e ataques frequentes nas redes sociais. “Vêm de todos os lados, de homens e mulheres. Existe hater para tudo. Sei diferenciar uma crítica de uma ofensa, de ameaças, porque elas existem. Mas a sensação é de enxugar gelo, porque você denuncia e nada acontece”, declarou.

A jornalista afirma que a cobrança sobre mulheres no esporte ainda é maior do que a direcionada aos homens. Segundo ela, erros acabam sendo utilizados como justificativa para questionar sua capacidade profissional. “As pessoas duvidam da nossa capacidade. Preciso estudar sempre mais porque, se eu errar, vão dizer que é por ser mulher”, afirmou.

Após o encerramento da Copa do Mundo de 2026, Renata Silveira já tem outro grande compromisso no horizonte: a Copa do Mundo Feminina de 2027, que será realizada no Brasil. “Não adianta termos os jogos sem divulgação ou transmissões, valores acessíveis de ingresso ao público e falta de patrocínio. É preciso investimento nos times femininos principais e de base. Para que haja melhora concreta, a roda toda tem que crescer e girar”, concluiu.

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