A miss trans Bruna Mendonça afirmou que sua participação no Miss Copa do Mundo representa um ato de afronta contra quem tenta limitar a existência de pessoas trans. Após ganhar repercussão ao revelar um relacionamento secreto com um ex-jogador da seleção brasileira, a modelo disse que pretende direcionar a atenção do público para o debate sobre preconceito e inclusão.
Natural do Maranhão e moradora de São Paulo, Bruna tem 32 anos, trabalha como modelo fotográfica e criadora de conteúdo adulto. Ela é a primeira mulher trans a disputar o concurso e representa a Arábia Saudita. Segundo a candidata, a escolha foi proposital. “É uma provocação. Uma afronta, sim. Não ao povo saudita, mas a qualquer lugar que tente dizer quem pode ou não existir. A minha existência já incomoda muita gente.”
Miss trans explica escolha pela Arábia Saudita
Bruna Mendonça afirmou que decidiu representar um país conhecido pelas restrições aos direitos da população LGBTQIA+ para incentivar uma reflexão sobre discriminação. “Muita gente acha que essa faixa não combina comigo. É exatamente por isso que ela faz sentido. Eu represento quem já foi discriminada e mandada se esconder. Quem já viveu invisível”, declarou.
A modelo também respondeu às críticas de que mulheres trans ocupariam espaços destinados às mulheres cis em concursos de beleza. “Eu nunca quis ocupar o lugar de mulher nenhuma. Sou uma mulher trans e sempre vou me apresentar assim. Tenho orgulho da minha história e respeito à trajetória e a luta das mulheres”, afirmou.
Bruna Mendonça espera ampliar o debate
Bruna também atribuiu esse tipo de crítica ao preconceito enfrentado por pessoas trans. “Criaram essa narrativa para nos desumanizar. E isso geralmente parte de quem discrimina, e de quem nos procura para aventuras sexuais. Eu não quero tirar espaço de ninguém. Só quero que respeitem o meu”, disse.
Depois da repercussão provocada pelo relato sobre um relacionamento mantido em sigilo com um ex-jogador da seleção brasileira, Bruna Mendonça afirmou que espera ser lembrada por outras razões. “A minha história nunca foi só sobre um relacionamento escondido. Sempre foi sobre viver sem precisar de permissão para existir.”


