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TV estatal pede desculpas ao vivo após 16 anos: “Mentimos por muitos anos”

Emissora afirmou que busca atuar de forma independente após mudança de governo e exibiu mensagem reconhecendo falhas na cobertura jornalística

Tela de TV exibe aviso de interrupção da programação da emissora pública em sala de estar com estante de livros ao fundo
TV estatal interrompeu temporariamente os telejornais (foto: Reprodução/Internet)

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A TV estatal da Hungria suspendeu temporariamente sua programação jornalística nesta semana para iniciar uma reformulação editorial. Segundo comunicado da emissora, a medida busca tornar o canal independente e confiável após a mudança de governo que encerrou os 16 anos de Viktor Orbán no poder. Durante a interrupção, o principal canal da rede exibiu uma mensagem em tela preta dirigida aos telespectadores.

No comunicado exibido pelo canal M1, a emissora reconheceu erros cometidos ao longo dos últimos anos. “A mídia de serviço público não pode mentir. Pedimos desculpas por termos feito isso durante tantos anos”. De acordo com veículos da imprensa húngara, a chegada de uma nova gestão interina provocou mudanças internas, com a saída de alguns editores das emissoras públicas de televisão e rádio.

O primeiro-ministro Péter Magyar classificou a iniciativa como “o fim das transmissões de propaganda nas plataformas públicas”. Desde que assumiu o cargo, em 9 de maio, o político lançou a chamada Operação Fogo Purificador, pacote de medidas voltado à reforma de estruturas do Estado e à revisão de políticas implementadas durante o governo anterior.

Com maioria de dois terços no Parlamento, o partido Tisza aprovou leis anticorrupção e o desmonte do Escritório de Proteção da Soberania. As mudanças também buscam facilitar o desbloqueio de 16 bilhões de euros em recursos da União Europeia. À agência AFP, a analista Zsuzsanna Végh, do German Marshall Fund, afirmou que as medidas sinalizam o encerramento do modelo de intimidação e propaganda associado ao governo Orbán. Já o partido do ex-primeiro-ministro classificou as ações de Magyar como uma tentativa de estabelecer um comando autocrático.

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