Globo promove caça às bruxas após vídeo vazado de Christiane Pelajo

Vídeo vazado de Christiane Pelajo deixou diretores da Globo de cabelo em pé (foto: Reprodução/GloboNews)
Vídeo vazado de Christiane Pelajo deixou diretores da Globo de cabelo em pé (foto: Reprodução/GloboNews)
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Os executivos da Globo estão promovendo uma caça às bruxas para tentar descobrir quem foi o responsável pelo vazamento do vídeo interno em que Christiane Pelajo aparece gritando com a equipe técnica do Edição das 16h e, revoltada com mais um problema no telejornal, fala mal da emissora, dizendo que estava vez mais difícil trabalhar ali. A gravação polêmica, que foi extraída dos bastidores da edição de 6 de abril de 2020, viralizou nas redes sociais no final da noite de 22 de junho de 2021, mais de um ano depois do episódio.

O vazamento, porém, não aconteceu há dois dias. O arquivo do bate-boca de Christiane Pelajo com a sua equipe já circulava entre os funcionários da emissora desde o ano passado, poucos dias depois do fato ter acontecido. Ele só não havia se tornado público, já que de fato houve uma operação interna para colocar panos quentes na situação. Para uma ala da cúpula, o vazamento teve teor político. As imagens surgiram na internet em perfis de apoiadores de Jair Bolsonaro e foram publicadas um dia depois do presidente ofender o canal e surtar com uma repórter da rede.

No entanto, ninguém arrisca fazer apostas de como o material deixou de ser uma piada interna para virar munição na eterna cruzada da família Bolsonaro contra a emissora. A demora para o vídeo ter se tornado público leva vários setores da emissora a acreditar que os apoiadores de Jair já estavam com o arquivo em mãos, mas que esperaram um momento oportuno para publicar as imagens. E o momento perfeito apareceu graças ao episódio do presidente com a repórter Laurene Santos, ocorrido na segunda-feira (21).

Naquele dia, Jair Bolsonaro disse para a jornalista que a “Globo não presta” e que a emissora faz um “serviço porco”, dentre outros termos. Nas imagens vazadas, capturadas há mais de um ano, Christiane Pelajo acaba por endossar as falas do presidente ao reclamar das falhas técnicas do Edição das 16h. A fala da jornalista sobre estar cada vez mais complicado trabalhar na Globo ter caído na mão dos apoiadores do presidente teve o mesmo efeito de doces na boca de uma criança. O vídeo incendiou as redes sociais, e dificilmente deixará de repercutir nos próximos dias.

A emissora, que raramente se manifesta sobre o vazamento de imagens internas, teve que vir a público para falar sobre o episódio e defender Christiane Pelajo. Em maio de 2020, mês em que áudios de Giuliana Morrone e Gerson Camarotti dizendo que Alexandre Garcia era gagá e extremista, extraídos dos bastidores do Bom Dia Brasil, foram expostos na internet, a rede preferiu adotar o silêncio e fingir que nada aconteceu. Dessa vez, a empresa optou por admitir que a jornalista errou ao gritar com seus funcionários, assumiu a existência de uma “falha técnica raríssima e grave” e fez questão de dizer que a equipe da Edição das 16h já havia superado o fato.

Falhas técnicas no Edição das 16h não são novidades e acontecem desde que o telejornal da GloboNews foi lançado, em intensidade tão grave quanto a do vídeo que viralizou na internet. Em 2016, Christiane chegou a ser advertida pelos executivos do canal por ter agido de forma semelhante em um episódio idêntico, que obrigou o telejornal a ser apresentado temporariamente dos estúdios do Rio de Janeiro. Problemas no noticiário são tão recorrentes ao ponto dele ter o apelido de Bug das 16h nos bastidores do canal de notícias.

Apesar do esforço, dificilmente a Globo conseguirá detectar a origem exata da mais nova munição na eterna batalha da emissora com Jair Bolsonaro. Incontáveis profissionais da emissora já haviam assistido ao vídeo da confusão de Christiane Pelajo antes dele se tornar público, e chega a ser óbvio que colaboradores podem ter compartilhado as imagens com amigos mais próximos, tal qual um telefone sem fio. A tendência, apesar do interesse da empresa em ter uma cabeça para expor publicamente, é a de que o assunto seja esquecido e que ninguém seja punido.

 

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