A atriz espanhola Alba Flores, conhecida por interpretar Nairóbi na série La Casa de Papel, denunciou episódios de preconceito e estigmatização sofridos por ser de origem cigana. O relato foi feito durante entrevista ao programa Lo de Évole, exibido pela emissora espanhola La Sexta, no qual participou ao lado da prima, a também atriz Elena Furiase.
Alba Flores contou que, após viver por cinco anos no mesmo prédio, só ao sair soube de comentários preconceituosos feitos por vizinhos no momento da mudança. “No meu último dia, o porteiro disse que eu tinha sido uma ótima vizinha, que não causei problemas. Mas quando cheguei, ouvi que diziam: ‘Ela vai dar festas, fazer barulho, criar confusão’”, relatou a atriz durante a entrevista.
A prima chegou a sugerir que a fama poderia ter sido o motivo da desconfiança inicial, mas Alba Flores negou, afirmando que a discriminação se deu por conta da etnia cigana. “Não, querida. Não acho que isso aconteça com outras atrizes. Não é porque somos artistas, é porque somos ciganas”, rebateu.
Durante a conversa, a atriz também criticou o discurso público que associa o povo cigano a comportamentos marginais e estruturas familiares estereotipadas. Segundo ela, a linguagem tem papel importante na construção de preconceitos. “Quem tem o privilégio de não ser afetado por isso precisa ter muito cuidado com a forma como nomeia as coisas. A linguagem gera pensamento e constrói imaginários”, afirmou.
A atriz de La Casa de Papel chegou a discordar de uma fala do apresentador Jordi Évole, que citou a organização de famílias ciganas em “clãs” e lideranças patriarcais. Para a atriz, esse tipo de generalização colabora para o reforço de rótulos externos e amplia a discriminação. “Isso vem de fora e nos é atribuído como se fosse algo natural. Está associado à criminalidade e cria um imaginário coletivo que nos estigmatiza”, concluiu.


