O rapper Kanye West publicou uma carta aberta no jornal inglês Wall Street Journal em que pede desculpas por fazer apologia ao nazismo e adotado comportamentos antissemitas nos últimos anos. No texto, o artista, que hoje assina como Ye, afirmou que perdeu o contato com a realidade ao agir em estado de mania e reconheceu que feriu pessoas próximas e o público.
Na carta, Kanye West atribuiu parte de seu comportamento a uma lesão cerebral causada por um acidente de carro sofrido em 2002. “Há vinte e cinco anos, sofri um acidente de carro que quebrou minha mandíbula e causou uma lesão no lobo frontal direito do meu cérebro. Na época, o foco foi no dano visível”, escreveu. Segundo ele, o diagnóstico correto só ocorreu em 2023, quando passou a tratar transtorno bipolar tipo 1.
O músico afirmou que o quadro afetou diretamente sua capacidade de julgamento. “A coisa mais assustadora desse transtorno é o quão persuasivo ele é quando te diz: você não precisa de ajuda. Ele te deixa cego, mas convencido de que você tem discernimento. Você se sente poderoso, seguro, imparável”, disse. Em outro trecho, Kanye West relatou meses de comportamentos psicóticos, paranoicos e impulsivos ao longo de 2025.
Kanye West citou atitudes tomadas desde 2022, quando passou a defender ideias ligadas ao nazismo, comercializou itens com suástica e lançou uma música intitulada Heil Hitler. Na carta, ele reconheceu o impacto dessas ações. “Eu disse e fiz coisas das quais me arrependo profundamente. Algumas das pessoas que eu mais amo, tratei da pior forma. Vocês suportaram medo, confusão, humilhação e o esgotamento de tentar lidar com alguém que, às vezes, era irreconhecível”, escreveu.
Ao final do texto, o rapper afirmou que busca responsabilização e tratamento, mas ressaltou que isso não justifica suas atitudes. “Lamento e estou profundamente envergonhado pelas minhas ações nesse estado, e estou comprometido com a responsabilização, o tratamento e mudanças significativas. Isso, porém, não justifica o que fiz. Eu não sou nazista nem antissemita. Eu amo o povo judeu”, declarou.


