Tremembé, série de true crime do Prime Video, já concluiu as gravações de sua segunda temporada. Considerada o maior lançamento nacional da plataforma, a produção volta a retratar casos criminais que marcaram o país. Felipe Simas comentou o desafio de interpretar Daniel Cravinhos, condenado pelo assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen em 2002.
Durante a conversa, Felipe Simas afirmou que aceitou o papel após refletir sobre a responsabilidade de representar um personagem baseado em uma pessoa real. Segundo o ator, a construção da interpretação passou pela tentativa de compreender o lado humano do personagem, sem deixar de reconhecer a gravidade dos crimes atribuídos a ele.
Ao falar sobre o processo de preparação, Felipe Simas explicou que sua fé influenciou a maneira como encarou o trabalho. “Enquanto ser humano, eu me questiono: ‘Será que pode amar quem comete crime desses?’. Pode amar sim, pode e deve, porque o amor é a solução. O amor é a saída do crime como esse, por exemplo. Então, quanto mais humano é, mais verdadeiro e mais cativante é o processo do artista, e isso para todos os personagens, incluindo aqueles que cometem crimes”, declarou em conversa com a CNN Brasil.
O ator diferenciou os conceitos de justiça e vingança. “Vingança é diferente de justiça. Eu acho que a sociedade ainda pensa assim, que quem comete crime deve pagar quase como uma vingança. E a fé que eu tenho, que eu exerço, me leva a crer que quem comete crime tem que pagar com a Justiça, cumprir a sua pena, mas, no coração, no íntimo, ele deve ser perdoado”, afirmou.
Felipe Simas reconheceu que o assunto envolve questões delicadas e disse que nunca enfrentou uma situação semelhante em sua vida pessoal. “Esse é o grande dilema, sinceramente, porque eu nunca passei por episódio como esse, nunca fui vítima. Minha família nunca foi vítima de episódio como esse”, disse.
“Então eu não sei como eu ia reagir, mas, ao mesmo tempo, a minha fé me leva a crer que essa é a única saída, que, enquanto a gente ficar assim vingando do outro, a guerra continua. Quando interrompe, é oferecendo perdão, oferecendo amor. Eu acho que o ciclo de violência termina. Difícil, bastante, mas é o que eu acredito”, declarou. Daniel Cravinhos foi condenado a 39 anos de prisão por participar do assassinato de Manfred e Marísia von Richthofen. Desde 2018, ele cumpre pena em regime aberto e trabalha com customização de motocicletas.


