A presença de narradoras e comentaristas nas transmissões de futebol da Globo é “um caminho sem volta”, afirma Renato Ribeiro, diretor de conteúdo esportivo da emissora há 8 anos. Em um bate-papo no Rio2C na tarde desta sexta-feira (29), o executivo afirmou que o esporte já atingiu seu teto de público na televisão e que a única forma de retomar o crescimento de audiência e faturamento dos campeonatos é focando no público feminino.
Para Ribeiro, a rejeição ao trabalho das narradoras da Globo é “fruto de um preconceito” e do “machismo do futebol”. O executivo afirma que os telespectadores que não aprovam a performance feminina nas transmissões de futebol são, além de misóginos, burros. “É como se o último bastião machista estivesse caíndo. É um caminho sem volta. O futebol não é só para homens. Isso vai além da misoginia, é um pouco de burrice também”, garante o diretor da maior emissora do país.
Para o auditório do Rio2C, Renato Ribeiro assumiu que a inserção de mulheres nas transmissões de futebol da Globo é fruto de uma decisão de negócios. “Há um teto do público que consome futebol. A gente está tendo que disputar a atenção do público mais jovem, com um monte de coisas. Onde você vai conquistar mais público? Como você vai conquistar pessoas que vão que vão pagar ingresso, pagar camisa, ir aos jogos, pagar pra ver um jogo na televisão?”, questionou.
“É com o público feminino”, respondeu ele mesmo. “As mulheres são o futuro do futebol. Isso é negócio”, continua o executivo. “Os misóginos e preconceituosos talvez acordem mexendo no bolso. É um caminho sem volta. Nós precisamos habituar o público. O futebol feminino enfrenta uma resistência. E nós sabemos qual é o motivo da resistência: é fruto de um preconceito, do machismo do futebol”, prosseguiu o diretor da Globo.
“Nós vivemos isso no que a gente faz, ao aumentarmos o número de narradoras e comentaristas. Elas sofrem uma barbaridade, são alvos de ataques nas redes sociais, ataques misóginos. São homens que não admitem: ‘aqui não, aqui não pode. Mulher narrando, comentando futebol, com voz ativa no futebol e jogando’. E a má notícia para eles é que é um caminho sem volta. O futebol não é só para homens, não diz respeito só a eles. Isso se trata de negócios”, concluiu ele.
reportagem com a colaboração de Bruno Dames


